Amanhã eu fiz

Agosto 3, 2009

Ontem eu farei minha liberdade.
Ontem eu concretizarei meus sonhos.
Ontem eu planejarei meu dia.
Ontem eu conquistarei montanhas.
Ontem eu beijarei o mundo.
Ontem eu renovarei a vida.
Ontem eu amarei o vivo.
Ontem eu falarei com deus.
Ontem eu fugirei do certo.
Ontem eu colherei os frutos que foram plantados amanhã.
Ontem eu sonharei contigo.
Ontem eu mergulharei na alma.
Ontem receberei meu habeas corpus
Ontem arrancarei meu íntimo.
Ontem matarei a ânsia.
Ontem eternizarei palavras.
Ontem cederei meu própolis.
Ontem fabricarei meu mel.
Ontem embriagarei meus olhos.
Ontem assinarei a paz.
Ontem, ontem eu farei o sol brilhar mais forte.
Ontem, eu inverterei os tempos, reais…verbais.

Igual, quase igual

Agosto 3, 2009

Quase tudo começa com quase. As semelhanças são “quase”. A vida é um quase, um quase morrer, um quase nascer, um quase.
Eu quase não tenho vontade de vir, e vim, por que ainda me restava o quase.
Estávamos, eu e a vida, apagando algumas memórias quase vivas ainda, e quando percebi que precisaria de vinte CDs para que quase todas fossem guardadas – Quase desisti.
Paranóia com o quase hoje, e não sei bem o motivo. Percebi que essa palavra engraçadinha, é mais imponente do que qualquer outra. As coisas podem ou não acontecer, é aí que entra o “quase”, que desmancha o acontecimento, pois o “quase” acontecido – De fato não aconteceu.
Outra perspectiva, esta extremamente pessoal, é que o “quase” se utiliza para que aquilo que desejamos ter ocorrido chegue mais perto da veracidade. É como se quando disséssemos “Quase Ganhei” estivéssemos mais próximos da vitória. Ou “Quase Perdi”, traduz o desejo de mostrar a todos que venceu o fracasso. É nítida a presença do quase. Ele é infalível para descrever fatos empolgantes, e sonhos “quase” realizáveis.
O problema, é quando sua vida se torna um amontoado de “quases”, que você esconde debaixo da cama para não exibí-los. Escondendo sua coleção brilhante de erros. Quando você se depara com um “quase” logo vem na sua cabeça, que o locutor está mentindo, como: “Eu quase fui na sua casa ontem”, não, isso de fato é mentira. E você sabe.
Uma grande besteira, não?
É. Estou sem espírito para ditar coisas. Na verdade estou sem imaginação, mas deixa pra lá, sem espírito e sem imaginação – “São quase iguais”.

Azul marinho

Agosto 3, 2009

Entre meados de solidão, meu corpo pede arrego aos meus sonhos imensuráveis. As folhas caídas nas calçadas fazem um Ballet magnífico, que chama atenção de quem é minimalista. Eu nunca as vi dançar. Entre linhas tortas fui escrevendo meu presente, ignorando a possibilidade de um futuro, e incrivelmente me vejo no futuro em branco que escrevi com caneta transparente. Tudo evidentemente marcado a luz da ausência e da saudade. Advérbios. Opacidade, dilacerado é o meu orgulho de saber quem era, e hoje repugnando o que descobrir que sou. Tudo tão explícito. As histórias noturnas perderam o sentido interno, e a minha vida se tornou tão egoísta que não me deixa viver. Está pesado demais acordar e repetir a seqüência quase-lógica “pré-destinada” aos incapazes de fugir as exceções, cumprindo sempre a mesma regra padrão. Eu continuo dando valor as coisas simples, esperando que um dia me torne uma delas.

Carta de algum suicída

Abril 30, 2009


É dia e são noites; e minha alma dorme esperando a ligação que a acorde
ela está crescendo enquanto só deseja ser aquela criança
tão cheia de vida.
E é da minha carne que não se reflete minha trsiteza e minha alegria.
No tic-tac do tempo e na monotonia das horas; que da minha fronte não transborda vida.
E é da minha alma envelhecida e da matéria bruta que me tornei que eu vou deixar a vida..

Poros da Alma

Abril 30, 2009

A vida ficou distante das flores
que segregavam naquele abril frígido
mas o que abandonei,
não foi inteiramente esquecido.

A crueldade dos risos não ridos exige clemência.
O delírio dos beijos dispensados sufoca,
e o peito inóspito de outrora pede estadia.

Esboços de pés suaves e abraços calados
surgem repentinamente na memória
As mãos já são ásperas
e meu corpo exala o odor ocre do afeto seqüestrado…

Hoje, só, espero calar os peditórios
para dormir o sono dos tranqüilos.
E imortalizar o que meus poros já sentiram.

Alô. Alô? Opa, é do Estadão? Sim? Sim, boa tarde para o senhor também. Quem fala? Aqui é Nildo Silva, e gostaria de falar com o editor do jornal. Como? Ele não pode me atender? Tudo bem. Pode ser o senhor mesmo. O negócio e que eu preciso falar com alguém do jornal. Tenho certeza que o senhor poderá me atender. Bom, eu tenho algumas crônicas aqui, sabe como é, trabalho genial, coisa de primeira meu amigo. Acho que vocês ficariam interessadíssimos em publica-las. São realmente geniais. Como? O senhor não acha que sejam geniais? Claro que são. Isso é indiscutível. Sem falar que eu cobro um preço ínfimo de 500 reais para que eu deixe que o senhor as publique. Ahn? É claro que o senhor quer as minhas crônicas, só não percebeu ainda. Pois fique sabendo que se fosse um Monteiro Lobato da vida iria te sair muito mais caro uma crônica. Como? Monteiro Lobato morreu? Nossa! Como ele morreu? Eu? É claro que eu sabia! Pois que seja então uma homenagem a memória dele. Não. O senhor vai ouvir sim. E vai publicar as minhas crônicas. É claro que publico em outros lugares. Onde? Onde… No meu blog na internet oras. E fique sabendo que… Como? O senhor acha que eu sou um idiota viciado em internet? Olhe, o senhor que não me ofenda. Tudo bem então. Eu diminuo o preço. Cobro só 50. O senhor não quer por preço nenhum. Percebo. Tudo bem. Já presumi isso. Sou um cara prevenido. Tá bom. Me diz quanto o senhor quer para publicar a maldita crônica? Pago o quanto quiser. Como? O senhor vai aceitar suborno sim senhor. E não me venha com chorumelas de honestidade e ética profissional. Eu acho… Mentecapto é a senhora sua mãe! Aquela porca! Olha lá, não me venha com ofensas! Eu vim aqui lhe oferecer o trabalho da mais alta qualidade por um preço justo o senhor me vem com insultos!? Pois eu vou desligar e pode falar aí para esse editor que eu não quero mais publicar crônica nenhuma. E passar bem.

Seu Zé não viu, só ouviu o tiro disparado pelo revólver do rapaz. Depois não ouviu mais nada.
Não ouviu o telefone de casa tocando, com notícias de sua morte. Não ouviu sua mulher chorando ao seu lado no velório. Não ouviu o filho de dois anos perguntando à mão onde o pai tinha ido. Não ouviu a filha, dois anos mais tarde, gritar quando viu uma barata. E mais. Não ouviu o som do tiro que matou o mesmo rapaz que o tinha matado. Não ouviu na televisão que as ações caíram no mundo todo. Não ouviu o carro que passou na porta da sua casa gritando pelo microfone “olha a pamonha”!

Não existiam eles

Abril 30, 2009

Eles eram perfeitos, talvez o casal mais bonito.
Ele a amava como se ela fosse a ultima mulher do mundo, ele mandava flores, dava bombons, alianças, beijos, abraços e muito amor.
Ele era a cara metade dela, ele a completava de uma forma incrível, ela se preocupava com ele cuidava, o desejava todos os dias e o fazia sentir-se desejado também.
Ele a conhecia mais do que a si próprio. Ela havia se entregado de corpo e alma.
Nas sextas ele a buscava para irem juntos ao cinema, depois passavam em algum barzinho. Então ela dormia na casa dele, ficavam conversando até a madrugada e depois apenas dormiam, um segurando a mão do outro. Ele sempre a acordava com beijos, e ela ficava com vergonha por estar desarrumada e com cara de sono. Eles eram feitos um para o outro. Brigavam ás vezes, mas ela sempre ia o perturbar, para conseguir tirar um sorriso daquela cara emburrada.
Eles faziam planos para o futuro.
Ela ia assistir os shows da banda dele, e ele a buscava na faculdade.
Daqui uns dois anos eles iriam se casar, e depois de mais quatro eles teriam o primeiro filho. Mas infelizmente agora ele está sentado no apartamento dele fumando o ultimo cigarro do segundo maço do dia…
Na verdade… eles não fizeram planos…não dormiram juntos… não trocaram juras de amor…nunca se abraçaram, porque ela se suicidou no ano 99, um ano antes que eles iriam se conhecer.


Você, pode se assustar com tal afirmação. Mas logo ali, na frente de um joystick se encontra uma fabulosa arte da manipulação mental.Muito se tem discutido sobre as terríveis e irreversíveis formas que os jogos eletrônicos mudam a mentalidade das crianças e as tornam adultos doentios e macabros, dispostos a fazer de tudo para o detrimento social.
Eis aqui um exemplo válido: Super Mario World:

Parece inofensivo, certo? Errado!
No jogo você controla quem mesmo? O Mário! E não me pergunte quem é Mário pois a resposta será obvia.

O objetivo do jogo é destruir Bowser, uma tartaruga com cara maligna que raptou uma princesa. Aqui começam os planos maquiavélicos da Nintendo.

Você passará por fases em que terá que pular em cima de tartarugas. Isso estimula a criança a pisar em pobres e indefesos seres, ou seja, é um atentado à biodiversidade. Como já visto, algumas espécies de tartarugas estão em extinção. Tudo por culpa do Mário!

Em segundo lugar temos aqui uma forma de se estabelecer no jogo, fazendo o Mário crescer (uepa!) e para isso, qual item se pega? Isso mesmo! Um cogumelo. Ou seja, você só será adulto se pegar um cogumelo, ou então…se tomar chá de cogumelo! Uma perfeita alusão às drogas.

Cabe agora a devida pergunta. Por quê para um jogo infantil, o personagem principal tem bigode e é encanador?

Lembre-se, encanadores são uma classe mal remunerada, são cidadãos comuns e o bigode sempre foi sinal de charme.
Che Guevara, Salvador Dali, Hitler, todos tinham um imaginável carisma por estes pêlos.

Mário é na verdade, a imagem do trabalhador pobre que se assemelha a um metalúrgico que com seu bigode e seu “carisma” conseguiu ganhar as eleições para a presidência. Então, se Lula agora está no poder, é culpa de quem mesmo? Do Mário.
As mazelas do mundo, as dores de garganta, a quebra das ações de empresas de presto-barba, o aumento pela procura de cursos técnicos de encanador, a extinção dos animais, tudo…tudo é culpa do Mário.